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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Selic passa a ter maior influência sobre poupança

Com as mudanças no cálculo do juro da poupança, pode ser mais vantajoso aplicar dinheiro nesta modalidade do que em títulos

Jefferson Oliveira

O Banco Central (BC) calcula a poupança de forma diferente desde maio deste ano. Se antes o rendimento da poupança era fixo (em torno de 6%), agora ele varia conforme à taxa básica de juros, Selic. Os juros da caderneta passam a ser equivalente a 70% da taxa básica de juros.

O economista Mário Monteiro explica que antes, independente de queda da Selic, o rendimento da poupança era o mesmo. “O Governo estabelecu um gatilho: à medida que a Selic fica abaixo de 8%, a poupança rende mais e é balizada por 70% da Selic somado ao rendimento de 6% ao ano. Então, no primeiro momento a poupança foi beneficiada”, comenta Mário Monteiro.

De acordo com o economista, a poupança foi a aplicação que mais ganhou, pois se manteve enquanto outras aplicações tinham seus rendimentos caindo. Mário Monteiro pondera que ‘é seguro investir na poupança. Principalmente para o pequeno empresário. Mas se a inflação sair do controle vai ficar complicado’. Para o economista, o Governo Federal deve demorar a fazer novos cortes na taxa que regula o juros brasileiro, pois a inflação está em ritmo crescente.





“O Governo estabelecu um gatilho: à medida que a Selic fica abaixo de 8%, a poupança rende mais e é balizada por 70% da Selic somado ao rendimento de 6% ao ano", informa o economista Mário Monteiro.

Cortes na taxa básica de juros podem inflacionar o sistema

Facilidade no crédito pode, a longo prazo,acarretar em inflação

Jefferson Oliveira

A taxa básica de juros, Selic, que regula os juros brasileiros caiu cinco pontos percentuais de setembro de 2011 a outubro de 2012, estagnando nos 7,25% ao ano. Apesar das quedas, o Brasil é o quinto país no ranking mundial de juros. Henrique Marinho, economista e professor da Universidade e Fortaleza (Unifor), explica que o Brasil é um país que tem uma história inflacionária e que sempre precisou ter os juros altos para atrair o capital estrangeiro. Além disso, os empresários temiam que uma redução dos juros desequilibra-se a economia.

Segundo o economista, o Banco central (BC) aproveitou o momento da crise européia em agosto de 2011 para reduzir os juros e aquecer o ritmo do mercado financeiro do país. No entanto, havia um empecilho há cinco ou seis meses: a taxa de poupança. Pois havia juros fixos de 6,17% somados à Taxa Referencial (TR). Com as mudanças incrementadas pelo Governo na poupança em maio, a rentabilidade passa a ser de 70% da taxa Selic. Assim, quando a taxa Selic é de 8% ou menor que isso, o rendimento vai para 70% da Selic junto à Taxa Referencial (TR).

Apesar da taxa básica de juros estar abaixo do esperado, tornando o crédito mais barato e diminuindo o volume da dívida pública, como explica o economista, há um contraponto:o aumento do poder de consumo das pessoas e uma posterior produção acelerada por parte das empresas, causando, a longo prazo, a elevação do nível de endividamento dos consumidores. Essa demanda aumentaria a taxa de juros, causando a inflação.

A demanda aumentaria a taxa de juros, causando a inflação